Delegados Federais debatem Segurança Pública

6 de agosto de 2015 20:16

O 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aconteceu nos dias 28 a 31 de julho, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro/RJ e contou com a participação de três Delegados de Polícia Federal na programação do evento. A diretora da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) Tatiane Almeida apresentou seu estudo “Quero morrer do meu próprio veneno: uma análise sobre os suicídios entre policiais”, durante a mesa de discussão sobre saúde mental e suicídios de policiais.

 

Em sua fala, a Delegada abordou a instituição policial e a cultura policial para relacionar aspectos do trabalho policial com as fatores de risco para o cometimento de suicídio. Segundo explicou, o Brasil carece de pesquisas e estatísticas sobre o tema. Enquanto o FBI possui uma unidade que se dedica ao estudo do problema, as polícias brasileiras ainda não têm se dedicado a debater e analisar o problema de forma eficaz.

 

Outro Delegado que participou do encontro foi Milton Rodrigues na roda de conversa sobre “O papel da Polícia Federal no combate aos grupos de extermínio no Brasil”. O Delegado mostrou que o mapa da violência foi importante para que a polícia pudesse atuar em lugares específicos no combate às atividades típicas aos grupos de extermínio.

 

Milton explica ainda que essa temática ganhou força dentro da Polícia Federal recentemente e que hoje o objetivo da PF para o combate a esses grupos é “atuar supletivamente em situações pontuais, com o objetivo de resguardar o estado democrático de direito e reduzir a violência na região respectiva”.

 

Durante o painel "O papel da Polícia Federal no combate aos grupos de extermínio no Brasil", o Delegado destacou que o combate ao crimes de extermínio tem função determinante na construção da democracia, na medida em que contribui para garantia do direito à vida e reafirma a confiança nas instituições públicas, abalada pelo envolvimento de agentes estatais nessa criminalidade.

 

Ao participar do painel "Homicídios e direitos humanos: desafios para o Brasil e América do Sul", o Delegado Federal Daniel Lerner falou da sua atuação como Coordenado-Geral da Secretaria de Reforma do Judiciário (SRJ/MJ) e abordou sobre sua participação na Comissão Nacional da Verdade (CNV), com importantes recomendações sobre justiça criminal e segurança pública, importantes para o trabalho policial. O Delegado destacou o papel fundamental dos policiais na defesa dos direitos humanos e como a profissionalização desses trabalhadores passa pela atuação na restrita legalidade.

 

Em relação à SRJ/MJ, Lerner abordou a câmara de monitoramento, uma instância nova que foi criada para monitorar os processos e inquéritos de homicídios no país. Por enquanto foi possível implementar apenas uma câmara, em Alagoas. Nela, os atores do sistema de justiça e segurança pública dialogam com vista a garantir uma maior resolução de casos.

 

“Tem se falado muito da baixa resolutividade dos inquéritos e da demora em julgar esses casos de homicídio. Essa câmara coloca em contato: poder judiciário, Ministério Público, polícias, OAB, defensores públicos, para que cada um identifique onde estão seus piores gargalos e melhorem para dar mais vasão a esses casos”, afirma Lerner.