PF pode abrir inquérito sobre novo vazamento
A Polícia Federal (PF) vai pedir informações ao Ibama e à Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre o vazamento da Petrobras no Campo de Roncador, na Bacia de Santos. Com base no material, vai analisar a abertura de um novo inquérito policial, afirmou Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF.
– A ANP e o Ibama ainda não têm informações suficientes sobre o vazamento, que foi descoberto no fim de semana. Na próxima quinta-feira, eu vou pedir mais informações para analisar se é o caso de abrir um inquérito policial – disse Scliar.
A descoberta de gotículas de óleo a partir do solo marinho do Campo de Roncador, operado pela Petrobras, foi descoberto por equipamentos da Chevron. Roncador é vizinho do Campo de Frade, onde ocorreram dois vazamentos de óleo – um em novembro, quando foram derramados 2,4 mil barris, e outro em março, quando um barril de petróleo vazou de uma fenda de 800 metros no solo marinho.
O Campo de Roncador é o segundo maior do Brasil, em termos de produção, segundo a ANP. Lá são produzidos 284 mil barris por dia. Fica atrás apenas de Marlim Sul, onde são extraídos 353 mil barris por dia.
O oceanógrafo David Zee lembrou que é "estranho" um equipamento da Chevron estar analisando o solo em um campo vizinho:
– Não há sentido nisso. Analisar via satélite já é difícil, imagina no fundo do mar. É preciso saber o ponto exato do vazamento descoberto em Roncador. Mas não acredito que esse derramamento esteja relacionado ao da Chevron, já que está a uma distância considerável.
Roncador está a 120 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro. A ANP informou que o vazamento de Roncador está a 500 metros do Campo de Frade.
A Chevron não quis comentar o que estava fazendo no Campo da Petrobras. Uma fonte acredita, porém, que a petroleira americana está averiguando a hipótese "de toda aquela área estar comprometida", cenário também em investigação pela ANP:
– Uma das hipóteses sendo analisadas atualmente é de que o petróleo esteja procurando uma saída através do subsolo da região, cheio de falhas geológicas. Sabe-se que a Chevron pôs pressão maior ao perfurar o subsolo, que é poroso.
Ibama fez sobrevoo ontem na área do vazamento
A Petrobras disse que só vai fornecer mais informações hoje, após análise do óleo. A ANP não deu mais detalhes sobre o vazamento.
O Ibama informou ainda que ontem foi feito um sobrevoo no local do derramamento para averiguar se o vazamento já chegou à superfície do oceano. O resultado será divulgado hoje. O órgão disse que ainda não há informações sobre a dimensão do acidente.