Polícia Federal investiga existência de milícia indígena no Amazonas
A Polícia Federal investiga um grupo de índios suspeito de formar uma organização paramilitar no interior do Amazonas. Os integrantes adotaram o nome de “polícia indígena” e dizem combater a violência nas aldeias. A PF, no entanto, considera a organização perigosa e investiga crimes atribuídos à milícia.
Na entrada da aldeia em tabatinga, no interior do amazonas, índios fardados revistam todos os veículos. A ordem é barrar bebidas alcoólicas e drogas, produtos que são associados ao aumento da violência nas tribos.
O coordenador do grupo, Elias Ferreira, alega que a Polícia Federal não controla a questão.
– A Polícia Federal diz que a venda de bebida alcoólica não é nada com eles. A violência também não é questão deles.
A “polícia indígena” foi criada há dois anos. Ela é formada por mais de cem soldados que carregam cassetetes e algemas. A maioria deles são ex-recrutas do exército.
Além da lei seca, o grupo submete a aldeia a um toque de recolher. O cacique Mestâncio Alexandre diz que as pessoas podem ficar na rua até as 21h30.
Quem desrespeita as regras do grupo é obrigado a passar uma noite dentro de uma cela. Também fica preso no local o suspeito de algum crime mais grave, até que a polícia da cidade seja comunicada.
A Polícia Federal diz ter recebido denúncias de agressão, invasão de domicílio, cárcere privado e dois homicídios. Para o delegado superintendente do amazonas, Sérgio Fontes, a polícia indígena é uma milícia, ou seja, uma força ilegal e paramilitar.
– Se você olhar a gênese das milícias no Rio de Janeiro, elas são assim também. No começo, elas nasceram com uma certa aprovação da sociedade, e depois elas perderam o controle. Quem é que vai evitar que um deles se exceda num castigo corporal e mate alguém? Quem é que vai proteger os indígenas dos próprios indígenas?
Por meio de nota, o Ministério Público Federal disse que apoia a polícia indígena, mas é contra o uso de armas e punições. A procuradora da República Gisele Dias Blege afirma que índios que cometerem abusos devem responder pelos crimes.
Fonte: R7 Notícias