Foto/ADPF

Folha de S.Paulo – Governo cancela reunião sobre aumento de salário para PF, e policiais falam em indignação

19 de outubro de 2023 15:50

Entidades de classe que representam os policiais federais criticaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) em nota divulgada nesta quarta-feira (18) após cancelamento de uma reunião para tratar de reajuste salarial.

O documento assinado por representantes de delegados, peritos, agentes e servidores administrativos da Polícia Federal fala em “indignação com a postura morosa” e “letargia” do governo federal na discussão sobre a restrição salarial para os policiais.

Segundo os policiais, caso não haja uma resposta do governo, pode haver uma paralisação em novembro.

Caso não haja uma resposta do governo, há uma previsão de uma mobilização em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília e paralisação das atividades em 16 de novembro.

“A decisão conjunta se justifica pela letargia do governo federal. Cabe ressaltar que as negociações de reestruturação já estão em andamento há meses no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), conforme ofício orientado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 15 de junho. Mesmo com toda essa tramitação, o governo federal reincide em postergar uma resposta efetiva à questão”, diz trecho da nota.

Ainda no documento, as entidades citaram o fato do governo Lula apontou a segurança pública como prioridade, mas sem, na prática, melhorar as condições dos policiais.

O documento aborda as FICCOs (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), que foram usadas pelo ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) como resposta do governo para combater o aumento da criminalidade em estados como Rio de Janeiro e Bahia.

Dino anunciou recentemente a criação de FICCOs em todos os estados do país.

“O governo federal tem dito que a segurança pública é prioridade, entretanto na prática temos carência de equipamentos de proteção, de integração para integrar como FICCO, forças integradas fundamentais no combate à violência. Além disso, servidores que colocam sua integridade física em risco diariamente precisamos estar motivados e valorizados”, diz a nota.

O presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Luciano Leiro, disse à Folha que o cenário não se modifica mesmo com as mudanças de governo. Segundo ele, a desvalorização da carreira com a falta de reajuste diminui a atratividade da carreira e afasta bons profissionais.

“Não vamos ficar parados vendo a PF servir de marketing e não tendo o reconhecimento devido. Os policiais federais e os servidores administrativos da PF merecem respeito”, afirmou.

Willy Hauffe, presidente da APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), vai na mesma linha e diz que o governo atual, como os anteriores, continua a descumprir o compromisso de reestruturação salarial.

“Nós estamos em estado de mobilização para tornar pública a nossa indignação com essa desvalorização que as carreiras da Polícia Federal sofrem lesões, além do tratamento diferenciado dado a outras carreiras e não estendido à PF. Novamente, a valorização da segurança pública parece ficar apenas em promessas de campanha, o que não será aceito passivamente”, disse ele.

O governo tem enfrentado movimentos também de outras categorias. O sindicato dos funcionários do Banco Central, por exemplo, anunciou há menos de um mês uma nova fase de mobilização para executar uma operação-padrão gerada “pela falta de compromisso do governo em negociar”. De acordo com os servidores, o movimento causa atrasos na implementação das próximas etapas do Pix e retrocesso no Drex (o real digital).

Os servidores do BC afirmam que o Ministério da Gestão se negou a propor uma data para apresentar uma contraproposta na mesa de negociação com o sindicato. Os servidores desativaram a criação de uma retribuição por produtividade, o ensino superior para a carga de técnico do BC e a alteração do nome da carga de analista para auditor.

Diferentes categorias também surgiram em junho a campanha salarial de 2024. A avaliação das entidades que representam os servidores é que o Judiciário, o Legislativo, além do Ministério Público da União (MPU) e da Defensoria Pública da União (DPU), já têm reajustes garantidos em lei de 6% em 2024 e 6% em 2025. Mas que o Executivo federal ainda não tem nem sinalizações do governo

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